HISTÓRICO DO SETOR

São 96 anos de existência da indústria de ferroligas brasileira desde a primeira experiência do engenheiro e professor Antonio Barbosa da Silva na Escola de Minas de Ouro Preto. Foi lá, em 1906, onde se realizou a primeira corrida de ferro-manganês do país, e que, de tão importante, transformou-se na patente de invenção nº 3.541.

A experiência utilizou um forno de potência equivalente a seis chuveiros elétricos de hoje e, apesar do sucesso do empreendimento, os recursos eram muito pequenos para permitir vôos mais altos. Para superar este problema, Barbosa lutou e conseguiu ampliar as instalações onde trabalhava, chegando a produzir ferro-manganês para Central do Brasil naqueles primeiros anos do século passado.

O início da história da industria de ferroligas é, portanto, o esforço para ultrapassar muitas dificuldades. Entre estas, no começo, havia problemas como a falta de operários siderúrgicos qualificados e de técnicos experientes, carência de meios de transporte, insuficiência de aparelhamento do mercado e, finalmente, o receio da concorrência estrangeira, agravada pelas oscilações cambiais bruscas e frequentes.

A história da indústria de ferroligas e de silício metálico no Brasil é a história do aproveitamento dos minérios do país, onde a qualidade e a abundância de reservas estão sempre associadas à facilidade para a exploração mineral. A história do setor é também o esforço de empresários ousados ao lado de engenheiros talentosos, agrupados inicialmente em torno da Escola de Minas de Ouro Preto e de centros financeiros do Rio e de São Paulo.

A história da indústria de ferroligas e de silício metálico é também a história do aproveitamento hidrelétrico dos rios brasileiros, já que a energia elétrica é o principal insumo na produção da maioria das ferroligas. Por exemplo, em Minas Gerais, o setor deu o grande salto em suas atividades na mesma época da construção das Usinas de Três Marias e Furnas.

Quatro indústrias são consideradas as pioneiras: a Companhia Brasileira Carbureto de Cálcio (CBCC), fundada em 1912 em Santos Dumont; a Companhia Níquel do Brasil, constituída em 1932 em Liberdade, no sul de Minas; a Elquisa - Eletroquímica Brasileira, fundada no distrito ouropretano de Saramenha em 1934; e a Companhia Nacional de Ferroligas.

Esta última é, todavia, a empresa reconhecida como o primeiro empreendimento nacional a ter uma linha de produção de ferroligas em caráter industrial e permanente. Fundada no início da década de 40, instalada na cidade de Honório Gurgel, no estado do Rio de Janeiro, a Companhia Nacional de Ferroligas manteve-se em funcionamento até o ano de 1956.